Complexo Pavão-Pavãozinho e Cantagalo passa a integrar rota do turismo carioca

A parceria entre o Governo do Estado e o aplicativo Na Favela Turismo viabilizou a inclusão do Complexo do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul carioca, no roteiro turístico da cidade. O tour pelas comunidades passa por pontos, como trilhas com vistas para a Lagoa Rodrigo de Freitas, Cristo Redentor, praias de Copacabana e Ipanema e o Museu de Favela, projeto arquitetônico desenvolvido pelo programa Cidade Integrada.
Sobre a iniciativa, a coordenadora do Programa Cidade Integrada, Ruth Jurberg, destacou a importância de “apresentar propostas que valorizem as comunidades, fomentem o turismo e gerem oportunidades para os moradores dessas regiões”.
Ruth destacou ainda que o “turismo em comunidades é uma importante ferramenta de transformação social. O conjunto Pavão-Pavãozinho e Cantagalo possui um rico patrimônio histórico”, disse ela, acrescentando que a integraçãocom o aplicativo deve “gerar bons frutos para a comunidade e proporcionar experiências marcantes aos visitantes”.
O programa Cidade Integrada reúne projetos voltados para infraestrutura, segurança e desenvolvimento cultural, artístico e social em áreas de vulnerabilidade. Agora, o Pavão-Pavãozinho e Cantagalo passa a integrar o seleto grupo de favelas aptas a receberem turistas com roteiros acompanhados por guias especializados. A Rocinha e o Vidigal dominavam esse cenário.
As comunidades participantes têm muito mais oferecer do que somente fotos com visual atrativo. Nesses locais, os turistas têm a oportunidade de conhecer histórias de moradores, a gastronomia local, além das iniciativas culturais, como ressalta secretário de Estado de Turismo, Lucas Alves:
“Nosso objetivo é valorizar a cultura e o turismo do estado, dentro e fora das comunidades. É inegável a relevância histórica que esses territórios agregam ao desenvolvimento turístico e econômico”, disse Lucas Alves.
Um exemplo dessa relevância é o Museu de Favela (MUF), localizado no Edifício Multiuso do Estado, que ganhou sede própria após 17 anos de atividades desenvolvidas em espaços cedidos nas comunidades. Na construção, realizada pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP-RJ), o Governo do Estado investiu mais de R$ 2,6 milhões, e a Light, R$ 3 milhões, por meio da lei de incentivo.
“A ideia do museu nasceu do desejo de mostrar um olhar diferenciado sobre as favelas por meio do turismo. Se queremos projetar algo para fora, o turismo é a ponte. Mas precisávamos de um argumento, e esse argumento é a nossa memória, nossas histórias de superação e a nossa forma de viver”, explicou Márcia Souza, uma das sócias-fundadoras do espaço, que surpreende os turistas, segundo ela:
“Já ouvimos turistas estrangeiros que imaginavam a favela como um lugar triste e ficaram encantados ao ver a felicidade e a luta das pessoas. Não é apenas sobre o clima; é sobre as conquistas e a forma como as pessoas resistem. É um lugar de cultura e de pertencimento”, completou.
Donos de negócios locais destacam como as visitações guiadas contribuíram para a qualificação das comunidades e dos negócios cadastrados, como relatou o dono e chef do Bar e Restaurante Panelada, Nasi Barbosa: “Vejo isso como uma oportunidade para novos empreendedores. O turista vem e percebei todo mundo abraça quem chega”.
O empresário viu o movimento do seu negócio crescer ainda mais devido à sua participação no Circuito Favela Gourmet, evento de rota gastronômica pioneira no Rio de Janeiro, que colocou em evidência restaurantes da Rocinha, Vidigal e Pavão-Pavãozinho/Cantagalo.
Os trabalhadores que atuam no ramo de transportes também estão animados com a chegada de mais turistas. Para Mestre Pardal, mototaxista e professor de capoeira no alto do PPG,“alguns turistas, principalmente os estrangeiros, acham curioso o nosso meio de transporte; outros têm medo. Apresentamos a cultura da comunidade e as vistas que temos aqui. Os lugares que eles mais buscam variam muito: alguns só querem ver o visual, mas outros querem saber dos projetos sociais, da cultura e da arte”.
Como funciona o tour
Na entrada do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo há um estande do aplicativo Favela Turismo. No local, um guia cadastrado na plataforma acompanha o turista no passeio. Além de permitir a identificação de guias, o aplicativo assegura ao turista rotas verificadas e monitoradas em tempo real.
Uma nova versão do Na Favela Turismo será lançada ainda em abril. Nela, o turista terá acesso ao acompanhamento do seu próprio tour em tempo real.
Créditos: Diário do Rio



