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Vinícola de Teresópolis quer produzir o primeiro espumante 100% fluminense

Em Teresópolis, na Região Serrana, a Vinícola Maturano aposta em viticultura de inverno, tecnologia de precisão e cultivo próprio de uvas para elaborar o primeiro espumante integralmente produzido no Rio de Janeiro — do plantio da videira ao amadurecimento em garrafa.

Durante décadas, produzir vinho fino no Brasil era realidade praticamente restrita à Serra Gaúcha. Mais recentemente, a Serra da Mantiqueira passou a dividir esse protagonismo. Agora, em Teresópolis, a Vinícola Maturano busca colocar o Rio de Janeiro nesse mercado com um projeto que pode resultar no primeiro espumante integralmente produzido no estado, desde o cultivo da uva até o amadurecimento em garrafa.

Chardonnay cultivada na Região Serrana

Iniciado oficialmente em 2020, o projeto reúne produção de vinhos, gastronomia e enoturismo. Uma das principais apostas é a elaboração de um espumante pelo método tradicional, a partir de uma Chardonnay cultivada em Teresópolis.

Na propriedade são produzidas variedades como Cabernet Franc, Syrah, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Malbec e Gewürztraminer, todas utilizadas na elaboração dos vinhos da casa.

Só uvas próprias — mesmo que faça menos garrafas

Em um setor onde é comum complementar a produção comprando matéria-prima de outros produtores, a vinícola optou por trabalhar apenas com uvas próprias. Marcelo Maturano, sócio-fundador, afirma preferir reduzir o número de garrafas disponíveis a comprometer a identidade dos rótulos.

“Nós somos uma das poucas vinícolas brasileiras que trabalham com 100% de uvas próprias. Se uma variedade produzir menos em determinado ano, aquele vinho pode até deixar de existir naquela safra. O que não faz sentido para nós é comprar uva de outro lugar. O vinho precisa representar exatamente o que nasceu aqui”, disse.

Do estudo do solo ao engarrafamento em Teresópolis

O projeto começou a ser estruturado em 2020, com estudos agronômicos, correção do solo e preparação das áreas de cultivo. As primeiras videiras foram plantadas em 2022, sob acompanhamento da enóloga Mônica Rossetti, responsável pelos protocolos de manejo e vinificação desde o início da produção.

A primeira safra foi colhida em 2024 — naquele momento, as uvas ainda eram enviadas para São Paulo para serem vinificadas. Hoje, todo o processo acontece em Teresópolis: da chegada da fruta aos tanques de fermentação, passando pelo laboratório, sala de barricas e engarrafamento.

Viticultura de inverno: duas podas, uma safra

A busca por qualidade levou a vinícola a adotar a viticultura de inverno, técnica que transformou a produção de vinhos no Sudeste. Em vez de colher as uvas no verão, período marcado por chuvas intensas, a Maturano realiza duas podas ao longo do ano e descarta a primeira safra, concentrando a colheita nos meses mais secos e frios do inverno.

“A planta não entende por que não conseguiu produzir fruto. Então ela tenta de novo. É isso que fazemos. Ela produz duas vezes, mas nós descartamos toda a safra do verão”, explica Marcelo Maturano.

Enoturismo como novo ativo da Serra

Para a hotelaria da Região Serrana, a consolidação de um polo produtor de vinhos finos em Teresópolis amplia o repertório de experiências que sustentam a estadia de mais de um dia — visita a vinhedos, degustação e gastronomia somam-se ao clima de inverno como motivo de viagem.

Créditos: Diário do Rio / Foto: Robson Oliveira (Divulgação)

Fonte: Diário do Rio

Marília Silva

Jornalista especializada em turismo, hotelaria e economia do setor. Minha atuação é voltada para produzir informações confiáveis e atualizadas que fortalecem e contribuem para a divulgação de destinos turísticos e ações que reforçam a relevância da hotelaria e turismo no cenário nacional.

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