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Turismo no interior fluminense cresce e aponta novo caminho econômico

Com alta ocupação e destinos em evidência, setor se consolida como alternativa sustentável aos royalties em meio ao vácuo político no estado.

Enquanto boa parte do debate público no estado do Rio de Janeiro segue concentrada nas incertezas políticas do momento, um outro movimento ganha força longe da capital: o avanço do turismo no interior fluminense.

Os números mais recentes são animadores. Nesta semana de feriadão, a taxa média de ocupação hoteleira no interior chegou a 77,43%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. Em algumas cidades, o desempenho foi ainda mais expressivo: Nova Friburgo ultrapassou os 82%. Vassouras passou dos 80%. Destinos consagrados, como Angra dos Reis, Paraty, Armação de Búzios e Rio das Ostras, também registraram índices elevados. Mesmo municípios menos tradicionais no circuito turístico, como Valença (com destaque para Conservatória), Macaé e Arraial do Cabo, mostraram fôlego.

Mais do que números pontuais, esses dados revelam uma tendência: o turista está olhando para além da capital. As regiões de serra, com clima mais ameno e forte apelo natural, seguem entre as preferidas, como mostra a alta procura por Visconde de Mauá. Ao mesmo tempo, cidades como Resende e Cabo Frio ampliam seu protagonismo, diversificando o mapa turístico do estado.

Esse crescimento não acontece por acaso. Há um esforço de promoção dos destinos, participação em feiras e realização de eventos que ajudam a colocar o interior do Rio no radar nacional. O reconhecimento também vem de fora: localidades como Conservatória e Visconde de Mauá figuraram entre os destinos mais acolhedores do Brasil em 2026, segundo premiação internacional da Booking.com.

Diante desse cenário, é impossível ignorar o potencial estratégico do turismo. Trata-se do segundo setor que mais gera empregos no estado, ficando atrás apenas da indústria do petróleo. Mas, ao contrário do setor de óleo & gás, o turismo oferece a vantagem de ser uma indústria limpa, sustentável e com capacidade de distribuição de renda muito mais capilarizada, alcançando pequenos negócios, produtores locais e comunidades inteiras.

É justamente aí que entra um ponto crucial. Em meio ao atual vácuo político vivido pelo Governo do Estado, com uma gestão interina que naturalmente tende à cautela, falta uma aposta mais firme e estruturada nesse setor. O turismo não pode ser tratado como complemento — ele precisa ser encarado como política econômica central.

Investir em infraestrutura é o primeiro passo: melhorar estradas, qualificar serviços, ampliar a conectividade e garantir segurança são medidas básicas para sustentar o crescimento. Mas é preciso ir além. A criação de roteiros integrados — conectando, por exemplo, destinos de serra, litoral e patrimônio histórico — pode aumentar o tempo de permanência do turista e, consequentemente, o volume de receita gerada.

O interior do Rio de Janeiro já mostrou que tem atrativos, identidade e demanda. O que falta é transformar esse potencial em estratégia de longo prazo. Ao fazer isso, o estado não apenas fortalece sua economia, mas também reduz sua dependência dos royalties do petróleo — uma fonte de receita volátil e finita. O interior já deu o sinal. Cabe agora ao estado decidir se vai aproveitar essa oportunidade — ou deixar que ela passe.

Créditos: O Dia

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